Amorecas, hoje tem mais um post da série Clara Faz 1 e vou compartilhar sobre o segundo capítulo do parto. Semana passada, falei sobre minha escolha por parto humanizado e hoje conto meu relato de parto.

Ainda bem que o escrevi quando a Clara estava com 3 meses e a experiência ainda era bem recente pra mim. Dica para as mamães: se vocês também querem registrar sobre sua história de parto, escreva enquanto ela ainda está fresquinha na memória. Fico feliz de ler e relembrar de detalhes que já havia esquecido.

Bate aqui se sua experiência foi mais ou menos como essa. =]

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História do Parto

A data provável do parto era dia 20 de novembro, quando eu completaria 40 semanas. Mas, a Clara quis vir ao mundo 1 semana depois, numa sexta-feira, dia 27 de novembro de 2015. E chegou pra mudar nossas vidas completamente. Para melhor.

Meu trabalho de parto se iniciou às 6h30 da manhã do dia 26 de novembro, ou seja, 28 horas antes dela nascer. As contrações eram bem espaçadas e começava aquela “bendita” dor nas costas, que todo mundo fala e que você só descobre o que é, sentindo. Mas, nada que eu não pudesse suportar. Liguei para a obstetra e ela ficou de sobreaviso. Eu preferi passar quase todo o meu trabalho de parto em casa e consegui!

Fiquei deitadinha no sofá, assistindo aos meus filmes favoritos (a única vez que fiz isso na gravidez toda, trabalhei intensamente até um dia antes), comi, tomei banho e a noite chegou. Nada da bolsa romper. Liguei para minha irmã – que foi a doula mais perfeita da vida – para que ficasse a postos, caso eu precisasse dela de madrugada. Mas, logo senti as dores ficando mais fortes e pedi para ela vir para minha casa me acompanhar, por volta das 22 horas. Meu marido também foi quase que um doulo. Perfeito e paciente! Uma dica muito importante: escolha pessoas que você confia e que te trarão paz e tranquilidade para esse momento. Ah! E que entendam que é o SEU momento.

Eu não tinha conseguido ter tempo de ver um enfeite para a porta de maternidade e fui, eu mesma, na madrugada, entre uma contração e outra, alinhavar o nome da Clara e um coração em um bastidor. E achei que ficou especial, feitinho pela mamãe!

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Entrei em um banho quentinho lá pelas 2 da manhã e como alivia! Se eu pudesse, teria passado horas debaixo do chuveiro. Mas, logo saí porque achei que estava chegando perto da hora de ir para o hospital. Antes do banho, Daniel teve a ideia de colocar uma bolsa de água quente nas minhas costas, toda vez que a contração vinha. E quando vinha, eu gritava pra ele e pra Ju: “a bolsa, a bolsa!” Kkk, tadinhos, iam eles correndo me atender! Pausa para agradecer mais uma vez a paciência deles comigo. Nenhuma grávida em trabalho de parto é fofa, vai por mim. Saí do banho e já tinha a bolsa com água quentinha me esperando. Isso era o que funcionava para mim e amenizava (um pouco) a dor das contrações.

Os intervalos das contrações que eram, ora de 10 em 10 minutos, ora de 08 em 08, do nada pularam para 04 em 04 minutos. O sofrimento era grande e eu urrava de dor na madrugada (foi malz, aê, vizinhos!). Daí, decidi que estava na hora de partir para a perinatal e avisei minha médica, que por sua vez, avisou a sua equipe. O trajeto foi muito difícil, coisa pior não existe do que andar de carro em trabalho de parto! Ainda bem que eram 04 horas da manhã e não tinha trânsito. Daniel fez Copacabana a Laranjeiras em 10 minutos, andando relativamente devagar por minha causa (não aguentava um solavanco sequer).

Cheguei lá, fui para a emergência (procedimento padrão) e já estava com… 7 centímetros de dilatação! Êêê! Se eu não estivesse sofrendo tanto, tinha dado um beijo na plantonista, kkk. Fiquei muito feliz em saber que o trabalho estava bem evoluído e achei que eu fosse ter minha bebê logo. Hehe, ledo engano. Ainda restariam 6 horas dessa brincadeira.

Minha médica chegou logo e avisou, para minha tristeza, que a sala de parto humanizado estava ocupada. Dentro do centro cirúrgico, só tinha um micro quartinho que dava para o registro de água do centro cirúrgico, que mais parecia um antigo depósito, em que improvisaram uma cama e uma poltrona. Juliana e Dani se espremiam na poltrona e eu sofria nas contrações, enquanto aquele barulho de água passando soava como música ambiente. Coisa nada agradável. Foi aí que o anestesista chegou e eu pedi só um “cheirinho” de anestesia peridural. Pense na dificuldade de ficar imóvel durante uma contração, com as pernas esticadas, para ele não errar a medula.

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Ufa, que alívio não sentir tanta dor. Só que os 8 centímetros de dilatação, que eu já tinha nessa altura do campeonato, não evoluíram. Foi aí que a bolsa rompeu (sem querer), em um toque feito pela minha obstetra. Não sentir as contrações, fizeram o trabalho de parto regredir, mas a Clara estava curtindo permanecer na barriga, nem era com ela, rs. Assim, o anestesista mexeu em algo lá e eu voltei a sentir as dores.

Enquanto isso, finalmente fui transferida para a sala de parto humanizado que já havia sido higienizada e liberada. Foi a partir daí que comecei a fazer força. E fiz muita força. Para mim, pareceu umas 2 horas fazendo força. A cabeça dela já coroava, só que ela não saía de jeito nenhum. “Paulinha, ela é cabeluda!” – eu já sabia pela ultra. 🙂 “Faz força, a cabecinha está aparecendo!”, ouvia toda vez que vinha uma contração. Estava cansada de ouvir isso, “queria que aparecesse mais que a cabeça”, cheguei a exclamar!

Minha obstetra tentou várias posições para eu fazer força – puxando uma estrutura de ferro de cima para baixo, sentada no banquinho e a mais “confortável” para mim era mesmo a tradicional. A Clara estava supertranquila, mas a Dra. Patrícia me convenceu a tentar novamente a banquetinha, porque a gravidade favorecia e seria mais rápido. Só que doía bem mais.

E foi assim que a Clara nasceu, às 10h45 da manhã do dia 27/11/15, que nem índio. 🙂 Eu, sentada na banquetinha, Juliana me amparando por trás, Daniel segurando e fazendo massagem nas minhas pernas (quase não as sentia mais, de tanta força que fiz) e a obstetra sentada no chão. Ela amparou minha Clarinha, que veio imediatamente para o meu peito. Mas, não mamou. Ela não teve nenhum sofrimento, mas estava exausta. Que nem eu. Estava tão acabada que eu nem consegui chorar de emoção. Até a remoção da placenta me machucava. Enquanto minha obstetra costurava meu períneo, que abriu espontaneamente, comecei a tremer descontroladamente. Não sabia se era de exaustão, de ansiedade, de cansaço. Tremia tanto que o anestesista colocou um remédio na veia para passar. O tremor passou, mas o medicamento me deixou tão grogue que quase desmaiei no quarto, quando tentei tomar banho, umas 3 horas depois.

Ainda na sala de parto, a Clarinha voltou para mim, assim que o pediatra terminou de examiná-la, mas estava quietinha e acabou dormindo nos meus braços sem mamar.

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Fui para o quarto e ela para o berçário. Eles demoraram 5 horas para trazê-la para mim. Um absurdo! Queria logo amamentar minha filha, ela deveria estar com fome. Só no fim da tarde ela veio para mim, mas não quis mamar de novo. Só dormia. Ela só pegou o peito à noite, graças a Deus. E passou a primeira madrugada com a gente. E aí, começou a saga da amamentação, que é um outro capítulo difícil da história. Se quiserem, conto para vocês em outro post.

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À tarde, só mimiu, não quis mamar…

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E à noite, finalmente pegou o peito!

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Prazer, sou a Clara e tenho 1 dia de vida!

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Pronto, a vida como eu conhecia acabava e começava uma nova! Você me conquistou, filha. <3

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Minhas melhores amigas – minha irmã (e doula) Ju e mamãe Tânia

Quero aproveitar e agradecer à Dra. Patrícia Frankel e a toda a sua equipe pelo carinho, pela paciência e por acreditarem em mim. Em todo o tempo, eles se juntavam à minha irmã e marido, com palavras de incentivo, dizendo que eu iria conseguir. Como isso foi fundamental!

Enquanto escrevo, a Clara está dormindo no meu colo, no abençoado wrap sling. Já contei sobre ele neste post, essa benção para a mãe que, como eu, trabalha e ao mesmo tempo cuida do seu bebê sem babá.

Já não disse no post da minha escolha de parto que somos mulheres-maravilha? 😉