Amorecas, hoje tem o segundo post da série Clara Faz 1, acompanhando a contagem regressiva que estou fazendo lá no Insta para o 1 aninho da minha fofura. <3 Bora aproveitar pra nos seguir lá e acompanhar de perto todas as gracinhas dos nossos filhotes, além de ver inspirações diferentes das que postamos por aqui?

Quando a Clara fez 3 meses, escrevi o meu relato de parto e o tipo de parto que escolhi, mas por algum motivo não hava postado antes. Por um lado foi bom. Estava recém saída de um baby blues tenebroso, que me fez até questionar a sanidade. Assim, o relato vai um pouco mais amenizado, mas continua bem real. (:

Como o post original ficou giga, vou dividir em dois. Hoje será sobre minha escolha de parto e o próximo sobre a história do parto em si.

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Por que Parto Humanizado?

Nunca titubeei, sempre quis ter parto normal – parto humanizado, melhor dizendo -, mesmo tendo sido a doula da Ju no seu parto do Mateus. Assistir a um parto é uma coisa meio traumática, hehe. Mas, mesmo assim, sabia que era o melhor pra mim, o melhor pra Clara. Enfim, por todos os benefícios que lemos tanto por aí. Principalmente, pela possibilidade da Clara nascer quando ela quisesse e estivesse prontinha, sem muitas intervenções. E eu queria participar ativamente disso. Se eu tinha medo? Muito. Mas, pari com medo mesmo e consegui.

Hoje, diz a Ju que não se lembra de ter sofrido tanto no parto do Mateus. Minha mãe também relata não ter sentido tanta dor assim. Ela teve a mim e a Juliana de parto normal, num intervalo de apenas 1 ano e 1 mês (guerreira, merece o Oscar das Parideiras!). As duas dizem que depois que viram seus rebentos, esqueceram da dor.

Mas, e eu? Quer a verdade? Doeu pacas! Três meses depois que a Clara nasceu, ainda me lembrava muito da dor, como se a tivesse sentido no dia anterior. Hoje, 10 meses depois, tenho a memória de que doeu muito, mas não consigo mais “sentir na pele”, porque outras memórias mais maravilhosas com a Clara sobrepujaram essa. E sabe a que eu devo o fato de ter doído mais do que eu esperava? O medo. Vi o documentário “O Renascimento do Parto” (excepcional, by the way – acho que TODAS as grávidas e parceiros têm que assistir esse filme!), fiz acupuntura, mentalizei um “rio fluindo”, all that jazz, mas acho que o medo falou mais alto na hora. Hoje, percebo que eu poderia ter trabalhado melhor essa questão na minha cabeça, ter feito cursos e até mesmo terapia.

Se me arrependo? Nem por um minuto! Hoje, me orgulho de ter conseguido e me sinto empoderada. Tenho orgulho de dizer que tive parto humanizado e amo quando dizem que fui corajosa! Foi fácil? Nem um pouco.

“Mas, alto lá, Paula! Se você não se arrepende de ter tido parto humanizado, por que está aterrorizando tanto a gente, dizendo que doeu horrores?” Porque foi a (minha) realidade! Porque acho que toda mulher tem direito de escolher parto normal, cesárea, humanizado, o que for, sem falsas expectativas. Escolher baseada em fatos. Pesei na balança: parto humanizado dói pra caramba durante, césarea dói muito no pós-parto. O que é melhor pra Clara e pra mim? E fui com a cara e a coragem, mesmo tremendo na base. E quem sabe eu não toco tanto o terror que quando chegar a sua vez, não seja tão punk assim? Crio na sua cabeça um monstro de 7 cabeças, tu chega lá, bate no peito e vem contar que não foi tão terrível. Tomara! =]

Queria muito poder dizer que não senti dor alguma, se fosse te convencer a fazer parto humanizado, e que “na hora, aconteceu algo mágico e parou de doer” (oooi???), como já li em alguns relatos. Como bem disse a minha irmã aqui, isso é um “desserviço” a nós, mulheres reais e não menos mulheres-maravilha.

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Quer ter um parto humanizado?

Com certeza, você encontrará na Internet muitos artigos e textos completinhos sobre o parto humanizado e seus benefícios. Mas, quero dividir algumas dicas que funcionaram para mim.

Dica 1 | Tenha um obstetra pró parto humanizado

Se você quiser ter parto humanizado como eu, o primeiro passo é buscar um(a) obstetra que acredite nisso também. De corpo e alma. Na primeira consulta, temos muitas dúvidas, mas esse deve ser o primeiro assunto a ser discutido. Aqueles que dizem: “vamos ver o que dá na hora” ou “o bebê está com circular de cordão” ou “ele é muito grande!”, pode ter certeza que vão querer dominar a situação mais pra frente e vão querer marcar uma cesárea. Nenhum desses argumentos são impeditivos para parto humanizado. Você estará no fim da gestação, fragilizada, e terá medo de mudar de médico. Por isso, converse abertamente com ele e se certifique o quanto antes de que seu obstetra tem registros de partos normais ou humanizados mais frequentes do que cesáreas.

Dica 2 | Esteja aberta a uma cesárea

Não seja a louca do parto humanizado. Ele só será o melhor pra você e seu bebê se vocês dois estiverem bem. Caso haja alguma intercorrência não prevista durante o trabalho de parto, como sofrimento fetal, por exemplo, esteja aberta a ouvir as opções. E garanta um obstetra pró parto humanizado, mas que tenha bastante experiência cirúrgica e esteja pronto a intervir, caso necessário.

Dica 3 | Assista ao documentário “O Renascimento do Parto”

Foi ele que me ajudou a ter certeza que esse era o tipo de parto que eu queria. E me ajudou a entender que quem deveria decidir sobre isso era eu. Não o meu marido ou o meu obstetra. Eles devem apoiar minha decisão. Também, busque ler  e se inteirar sobre os tipos de parto para escolher de forma consciente.

Dica 4 | Busque grupos de apoio

Eu cheguei a ir no grupo Ishtar, que se reúne para falar sobre diversos questionamentos sobre a gravidez e o parto, mas confesso que não fui a muitos. Busque também por comunidades no Facebook. Estar próxima de “amigas grávidas” ajuda a se sentir encorajada e empoderada. Afinal, quem tem mais interesse nesse assunto do que as barrigotas?

Se você tiver dúvidas ou perguntas, usem os comentários aqui ou entre em contato comigo lá no Instagram. Terei o maior prazer em te ajudar ou incentivar no que for possível! Na semana que vem, conto meu relato de parto nu e cru, hehe.

Quem mais tem vontade de ter parto humanizado? Se você teve, qual foi a sua experiência? Compartilhe aqui para abrirmos um espaço bacana de interação! 😉

{Fotos da Clarinha dentro da minha barrigota nas 37 semanas, por Carolina Pires}