Em pouco mais de uma semana, a Clara fará 2 anos e até aqui nos ajudou o Senhor. Nunca me apropriei tanto desse trecho da Bíblia como agora, sendo mãe. Cada aniversário da Clara que se aproxima é um tempo de reflexão, de gratidão, de ficar emotiva.

Queria que você ouvisse (ou pelo menos lembrasse da letra) daquela música do Lulu Santos “Como Uma Onda no Mar”, enquanto lê esse post. Tem muita relação com o que vou compartilhar com vocês. (:

Olho pra trás e lembro como foi difícil o pós-parto, mamãe de primeira viagem com um baby blues que chegou, sem aviso prévio. Eu nem sequer sabia que aquilo que eu estava experimentando tinha nome e, não, para minha surpresa, eu não era a primeira a sentir. Quando eu li uma descrição a respeito do que era o tal baby blues, parece que eu mesma havia escrito. Estava lá, exatamente tudo que eu sentia e nem sabia verbalizar.

Sentia uma sensação terrível e depois descobri que não era eu, e sim os hormônios. Mas, não conseguia me livrar dela! “Não vai passar nunca, não é possível que eu esteja sentindo tudo isso!” Hoje, eu olho para a Paula de dois anos atrás e a tranquilizo, com um abraço compreensivo, enquanto afirmo: “você está indo muito bem, você é maravilhosa! Como eu te entendo… Chora, coloca pra fora, e continue sendo forte. Vai passar”.

O que é o baby blues?

Pelo menos pra mim, foi uma sensação de estar presa, como se com algemas, a uma nova realidade que não era a minha. Desespero de não voltar à rotina de antes, emoções à flor da pele. Fragilidade extrema. Queria ficar sozinha, enclausurada. Eu e minha bebê. E de preferência com os peitos pra fora, literalmente, rs (também sofri com muitas dores ao amamentar, como já mencionei para vocês). Mas, ao mesmo tempo, eu implorava para ir à padaria comprar pão ou verificar o preço de qualquer coisa no mercado. Sem bebê, claro. Era a liberdade, fazer aquelas coisas na rua que, normalmente, achamos um saco. Hoje, eu rio de tudo isso, mas foi tenebroso na época.

Espero que nenhuma mãe passe por isso ou pela depressão pós-parto. Eu vivenciei esse horror por quase os dois primeiros meses de vida da Clara. Mas, aos poucos foi minimizando. Sim, os hormônios voltaram ao normal, mas quer saber o que me ajudou muito também?

Rede de Apoio

Existem quatro “redes de apoio”, três das quais foram fundamentais para a minha recuperação. Todas elas envolvendo mamães. Se tem uma coisa que eu já sabia e confirmei ainda mais ao ser mãe é que nós, mulheres, devemos nos apoiar, nos julgar e nos comparar menos (idealmente nunca) e sermos sempre compreensivas umas com as outras. Sororidade define o que me ajudou de verdade a superar o baby blues.

Abri meu coração no Instagram e no meu Facebook pessoal dias após o nascimento da Clara, contando sobre o que eu estava passando, se lembram? Essa foi a imagem e o texto:

21 dias de Clara. ♡ Dia 27/11 foi o dia que ela escolheu pra dar mais luz às nossas vidas. E, desde então, minha vida mudou completamente. Não a vejo mais sem ela. ♡ Só que confesso que essa fase está sendo bem intensa pra mim. Estou passando pelo baby blues, talvez eu conte (desabafe) melhor um dia no blog. Não tenho momentos mágicos, mas o amor ao olhar os olhinhos mais encantadores do mundo supera tudo. E Deus tem sido muito bom pra gente! A Clara é a bebê mais tranquila e amorosa do mundo! Só de estar com ela, me derreto. Essa foto é da nossa 2a ida ao pediatra, no dia 09/11. Agradeço de coração todas as mensagens, votos e recados carinhosos. Nós estamos bem! ☺️ #Deusebom #todootempo”

E, por incrível que pareça, muitas mamães comentaram, me apoiaram e confessaram que passaram ou estavam passando pelo mesmo também. Com minha “confissão”, senti que não apenas fui ajudada, mas ajudei outras mães a se cobrarem menos, a compartilharem mais suas dores e a se sentirem menos culpadas. Por que, né? Não é assim que nos sentimos a maior parte do tempo? Culpadas?

A Ju, minha irmã, foi quem mais me apoiou nesse período. Não me deixava ficar sozinha, mas ao mesmo tempo, respeitava meu espaço, compreendia perfeitamente o que eu passava, porque ela mesma havia sofrido de depressão pós-parto. Sempre que podia, ela tentava me animar e sempre com muita paciência. Ela sabe o quanto a amo ainda mais por isso.

Outras mamães se revelaram amigas, me amparando nesse momento, como a querida Carol Pires. Serei eternamente agradecida. <3

Outros grupos de apoio são importantíssimos para nos empoderarmos e colocarmos em nossas cabeças, de uma vez por todas, que não estamos sozinhas, que é difícil pacas, e que vamos conseguir (traduza-se sobreviver)!  Com isso em mente, quero aproveitar para contar que o portal Mãe em Formação está lançando um Workshop totalmente gratuito e online. Serão 4 aulas, com participação de profissionais especializados, que vão falar de amamentação, organização para a chegada do bebê e outras dicas. O Workshop começa hoje, dia 20 e vai até 27 de novembro. As inscrições podem ser feitas aqui. Corre lá, que ainda dá tempo para garantir sua vaga!

Se com esse post eu conseguir animar/inspirar/empoderar pelo menos uma mãe que me lê, a expor sua fragilidade e a se permitir ser ajudada, para assim se tornar mais forte, então meu objetivo foi cumprido! E, lembre-se “nada do que foi será igual a do jeito que já foi um dia. TUDO passa, tudo SEMPRE passará”.

Estamos juntas! Fale comigo, estou aqui pra você. <3 Ou aqui ou no Instagram. 😉